Inspiração africa,  Moda

Quando o estilo africano vira estilo afro brasileiro

Editorial Rainhas do Valongo 2018…Cinco meses de preparo e o dia da prévia chegou… Só queria relatar um pouquinho aqui como foi esse dia tão cheio de emoções.

Os modelitos da prévia foram mais estilo afro brasileiro. Foi uma mistura de rendas e tecidos estruturados com estampas africanas. Turbantes relembrando a África mas com telas finas  e os 9 modelos mais 100% étnicos africanos todos com tecidos super wax foram deixados para o dia final da prévia que foi marcado para dia 15 de abril de 2018. 

Foi muito produtivo o trabalho com as modelos Vivi Ventura, Juliana Moraes que também é uma super make, Dani Cerqueira, Felipe Rocha e Ana Pérola. Carinhosamente maquiadas pela Ju e por Cris Dias.

Os acessórios foram criados pela estilista Adriana Aguiar que também desenvolveu o anel da tribo usado por todos os modelos. Ela trabalha com uma linha de acessórios todos 100% produzidos em alumínio tornando sua linha totalmente eco e ajudando o planeta.

Tivemos o apoio dos bastidores pela Conceição Neves e Jaqueline Araújo que estavam ali para garantir que nenhum detalhe fosse negligenciado. A presença delas foi de suma importância sobretudo no apoio dos turbantes.

Bom… falando da escolha da locação e do nome… Como o tema do editorial é moda africana escolhi a área do Valongo (vale longo) por sua riqueza cultural sobretudo africana. Essa região veio a ser posteriormente conhecida como Pequena África assim chamada por Heitor dos Prazeres. Ele foi um compositor, cantor e pintor brasileiro. Também foi um dos pioneiros do samba carioca juntamente com tantos outros e um dos pioneiros da escola de samba Portela. 

O Valongo é incontestavelmente o berço da resistência e renovação cultural afro no Rio de Janeiro e funcionava também como polo de produção e oportunidades de trabalho.

Com a aprovação da lei Áurea em 1888 o local recebeu  uma maior concentração de trabalhadores africanos e afro descendentes vindos de outras regiões incluindo os vindos da Bahia trazendo a capoeira, seus vendedores de rua, comidas, músicas, danças, vestuário e cultos aos orixás baseados em cantos e dança. Havia muita união no Valongo e nesses cultos o que resultou o surgimento do samba que eram realizados em ranchos que vieram a ser as escolas de samba do Rio de Janeiro. Haviam muitas festas famosas nestes ranchos e a mais conhecida dentre elas era na casa da tia Ciata. Ali era um grande quintal de cultura afro descendente. Não se pode falar de cultura brasileira e ignorar o samba, e pior ainda ignorar a cultura afro descendente que por sua vez está ligada diretamente à África. Por isso este editorial não pode ter outro nome se eu não mencionar o Valongo. Porque rainhas? Simplesmente porque a cultura afro é sinônimo de resistência, sobrevivência e uma extrema rica identidade. Elas são rainhas porque chegaram até aqui majestosamente vitoriosas. Através dos diversos turbantes, formas e tecidos somente retrato mais um conceito de estilo do que uma coleção.

A escolha da locação foi muito específica. Nos foi cedido carinhosamente o espaço  Afoxé Filhos de Gandhi na rua Camerino . O local é uma antiga ruína muito próxima do jardim suspenso no Cais do Valongo. O grupo foi fundado por trabalhadores deste cais que apesar se sua essência religiosa não faz distinção de seus componentes, cor, etnia ou religião. A filosofia é voltada para a paz e união entre os povos. 

A junção do cais do Valongo e das ruínas dos Filhos de Gandhi torna-se o palco perfeito para perpetuar a cultura que resiste ao tempo e suas variações. Por isso não canso de dizer: África, o estilo que inspira!

Galeria de fotos:

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